segunda-feira, 22 de outubro de 2007

"Vai tomar no cu, seu filho da puta"!

Calma, calma... num tô xingando ninguém (ainda). Bem... quem me conhece sabe que eu sou meio boca suja. Mas claro que sei me portar. A questão que quero abordar é o uso de expressões “chulas” em outras expressões. Digo livros, filmes, quadrinhos, teatros... enfim. Acontece que as tais expressões estão presentes na nossa civilização há incontáveis Eras. Claro que elas vêm ganhando cada vez mais veemência em suas raízes. Ficando mais agressivas e difundidas entre os jovens. Mas num vou me alongar nessa parte, porque é uma questão longa. Vou me ater ao que me propus: a linguagem em meios de expressão de massa. Os filmes, independentes de eles serem brasileiros ou estrangeiros de qualquer buraco, têm sua cota de palavrões. Aqui no Brasil rola uma hipocrisia muito grande. O filme, principalmente o estadunidense, condessa uma cota considerável de palavrões. Acontece que os tradutores preferem achar que todos nós somos burros ou sensíveis demais para aceitarmos tais termos. Cansei de assistir filme (até infantis) que as pessoas se esculhambam como “Mother Fucker” (filho da puta) e nas legendas têm “desgraçado” e dublado sai como filho da mãe. Nós vivemos num país onde todo mundo fala essa porra. Mas isso é apenas um exemplo raso.

Os filmes brasileiros são regados a palavrões. Certa altura eu tava assistindo um em casa, e minha prima tava assistindo comigo. Os personagens começaram a falar palavrões e ela logo soltou: “Tinha que ser brasileiro”. Eu fiquei calado porque ela é uma pessoa idiota. E bater boca com idiotas me dá dor de cabeça. Mas a verdade é que tanto faz. Os filmes estrangeiros falam da mesma forma ou até mais que os filmes brasileiros, mas aí as pessoas “comuns” não sacam essa porque os “adaptadores” daqui acham que somos sensíveis demais para nos confrontarmos com tais palavras tão comuns a todos. Nos gibis os palavrões são soltos, mas comedidos. Existem algumas “regras” para empregá-los. Como no caso de gibis como Superman. Nos títulos desse personagem num sei diz palavrão. Eu pelo menos num lembro de nada agora. Acho que o Turpin (um personagem antigo da linha do Super) disse “merda” uma vez. Mas geralmente os palavrões vêm em forma de símbolos como algo assim @#$% bem comum. Nos títulos do Justiceiro a coisa muda de figura. Ele é um anti- herói e vive no submundo. Falar palavrões é comum quando se está no submundo. Marginais não dizem “droga” eles dizem “puta que pariu”.

As pessoas ainda têm preconceitos estranhos em relação a isso. Em livros é a mesma coisa. As pessoas acham que os escritores devem ser polidos e em casos extremos talvez disserem “vagina” invés de “buceta”. Eu tava lendo há pouco Caçador de Pipas e há um trecho no livro em que um soldado falando com um garoto diz: “ Adorava comer a buceta de...” e por aí vai. Isso num Best seller. As pessoas precisam ter em mente que algumas coisas são necessárias dizer. Se eu vou escrever um livro sobre algo suburbano ou algo que releve uma característica de extremeza, os meus personagens num vão se xingar de “idiotas” e “imbecis”. Ele vão mandar “tomar no cu” e “se foder”. Claro... não vamos generalizar. Não estou dizendo que todo mundo vai sair falando merda por aí. Tudo é uma questão de caso. E cada um, cada um. O lance é saber avaliar a situação e contra dizê-la. Um chanceler por exemplo durante uma discussão diplomática não vai soltar o verbo. É diferente, por exemplo, de uma pessoa comum (sem dar nome aos bois) que normalmente no calor de uma briga chamar a pessoa de “filho da puta” é o mais leve.

O que quero passar é que qualquer criador tem de saber quando e onde usar tais palavras. Não só em suas criações mais também na sua vida. Tudo tem que se resumir a ocasião apropriada. O teu espectador (quer seja ele um leitor, alguém que vá assistir um filme seu ou uma peça de teatro...) ele não pode ser subestimado e agredido em uma profusão de palavras de baixo calão gratuitamente. Como eu disse, tudo em seu devido lugar e circunstância.

"Se foder."

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